quinta-feira, 15 de julho de 2010

raiva deste homem - gustavo aimar.
não o conheço, nunca falei com ele. só lhe vi imagens.
sempre que vejo imagens dos trabalhos dele sinto-me engolida subitamente por uma vontade gigante de um dia ter uma casa mais ou menos no meio do nada, ou mais ou menos no centro do mundo, em que as paredes serão altas e muito brancas e tão velhas que terão estuques victorianos e românticos a contrastar com os móveis de madeira escura, simples e gastos mas com aquele cheiro que só as casas antigas e quentes guardam.
nesta casa as paredes iam estar cheias: de fotografias, posters, quadros. se algum dia tivesse dinheiro para uma aguarela do josé rodrigues ou um quadro da armanda passos ou, em última análise (e só se fosse mesmo rica ou mesmo sortuda), uma gravura da paula rego, já não era mau. mas o que gostava mesmo era de ter as paredes repletas das imagens que preenchem as pessoas que eu amo.
neste sonho cabe também uma imagem do 'eudaquiamuitosanos', (mas que se calhar não são assim tantos, porque já tenho vinte e é estranho e custa dizê-lo), que tira fotografias, aprendeu a revelá-las num cubículo pequeno e escuro dessa casa de janelas altas, que reaprendeu a pintar, voltou a descobrir o prazer das colagens e do desenho dos corpos e das rugas, mas que sobretudo: vive a ilustrar livros.
há um 'eudaquiamuitosanos' dentro de mim, sempre dentro de mim, que vive no sonho de abrir mundos dentro de livros.
o 'eudeagora', num curso de palavras e pessoas e raras imagens nas narrativas, não sabe se é possível casar-se com o 'eudaquiamuitosanos', mas gostava.
gostava muito.

entretanto, enche-me a raiva de amor:
















sábado, 10 de julho de 2010















(ilustração de julia freund)


















(fotografia de inês d'orey)

tão cansada de horas incertas

sexta-feira, 9 de julho de 2010



há quanto tempo não via uma noite de insónias nos meus dias e noites regrados. faz dois meses, e o meu coração não descansa.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

sei que te falta a ilha na casa, os pés negros de areia e a cabeça de milhafre.
mas todo o mar está perto.
e toda a casa te devora com a saudade, deixa que pelo menos o sal te saiba bem.

estou aqui, não sou uma ilha mas sou um pedaço de terra, por isso deixa, deixa que pelo menos o sal te saiba bem.
















(ilustração de violeta lopiz)

sexta-feira, 2 de julho de 2010




















hoje ia no metro e vi uma rapariga vestida de preto, encolhida sobre si mesma com uma camisola justa de alças e os cabelos escuros também, alguma tristeza.


não me lembro do preciso momento em que percebi que aquela barriga grande trazia alguém lá dentro. sei que de repente entendo movimentos por dentro do tecido negro, qualquer coisa com extremidades mais redondas e outras pontiagudas, um bicho cheio de vida a mexer-se lá dentro como numa cama circular, rodando sobre si mesmo como num carrossel visto de cima.


já assisti a mulheres de barriga, mas esta foi a primeira vez que vi, em vez de sentir, algo a mexer-se. e percebi as extremidades, o movimento, as superfícies de diferentes proporções e velocidade com que podemos ir de um lado ao outro da barriga da nossa mãe.
o berço mais primitivo.

vida.
no metro, de manhã, numa manhã como as outras.

vida, e dar vida, e ser vida é mesmo qualquer coisa que chama "o tempo mais mítico".

quarta-feira, 30 de junho de 2010

e o verão cheira-me a horizontes....






















descobri o dani torrent.